quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Inglês para brasileiro ver...e rir


Eu não sei quem é o autor deste texto, achei aqui nos meus arquivos   e pensei que vale a pena divulgar.É um texto muito divertido e interessante. Aproximar a nossa língua da língua inglesa de forma espirituosa é sempre válido, porque deste modo aproximamos também as pessoas deste idioma tão importante nos dias de hoje, que é o Inglês. Leiam e divirtam-se.

Um norte americano, morando há pouquíssimo tempo no Brasil e falando "bem" o português, faz a sua lista de compras e vai ao supermercado para tentar abastecer a sua despensa e geladeira.
Tendo feito a lista, a seu modo, e com o carrinho na frente, vai lembrando o que precisa:

             1- PAY SHE
             2- MAC CARON
             3- MY ONE EASY
             4- PAUL ME TOO
             5- ALL FACE
             6- CAR NEED BOY (MAIL KILO )
            
7- AS PAR GOES
             8- KEY JOE (PARM ZOOM)
             9- COW VIEW FLOOR
            10- PIER MEN TOM
            11- BETTER HAB
             12- LEE MOON
             13- BEER IN GEL
             14- THREE GO
             15- PAY TO THE PIER YOU

Ao final ainda dá um tapa na testa, dizendo: PUTZ GRILL LOW! IS KEY SEE O TOO MUCH... PUT A KEEP ARE YOU!!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Parte de mim


Quando eu era adolescente, como a maioria das meninas nessa idade, eu escrevia diários (alguns deles tenho guardado até hoje), mas aí o tempo vai passando, você vai crescendo e falta tempo ou mesmo vontade de escrever.
 Há algum tempo eu me peguei pensando nisso, sei lá, uma necessidade de escrever, de falar, de comentar as coisas que acontecem comigo, as transformações pelas quais venho passado. Sinto de verdade que estou mudando. Sabe? Acho que estou me tornando uma pessoa diferente em vários aspectos. Às vezes penso que to ficando velha, só pode ser! Dizem que quando ficamos velhos voltamos a agir como crianças, pode ser que seja isso.
Olhando por uma escala regressiva e fazendo uma comparação inversamente proporcional (matemática não é comigo!), se é que vocês me entendem, eu penso que devo estar no início da velhice, o que, segundo minha escala imaginaria, deve ser equivalente a um comportamento adolescente. Quanto mais velha for me tornando mais criança vou ficando. Imagino que vem daí essa minha súbita vontade de escrever, esse desejo de expressar meus conflitos a partir da escrita, só não descobri ainda porque decidi publicar isso num blog, provavelmente toda essa era digital que vivemos me influenciou, no entanto preciso pensar melhor sobre isso.
Voltando as questões das mudanças: a troca de estado, do Tocantins para o Mato Grosso do Sul, definitivamente foi um dos fatores responsável por essa minha fazer reflexiva. Muitas coisas aconteceram nesses dois últimos anos.
Tenho vontade de escrever sobre tantas coisas, sobre muitas delas eu até já escrevi (só não tive coragem de publicar, embora eu saiba que quase ninguém visite esse blog) livros que li, livros que gostaria de ler, musicas, festas que fiz e que participei, alguns encontros familiares inusitados e sobre algumas pessoas que cruzaram meu caminho, algumas maravilhosas, outras nem tanto.
Um coisa é certa, Campo Grande é uma cidade muito maior que Palmas e é estranho como numa cidade com tantas pessoas eu me sinta tão só.
Os outros textos, aqueles que já escrevi, virão em breve. Esse foi só o primeiro passo.

14/01/2012

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O ROUBO DOS PATOS


Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação.

Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica, bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinqüagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, diz:
- Dotô, resumino, eu levo ou deixo os pato?'

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Escândalo e Literatura

O caso do dinheiro na cueca
À moda Machado de Assis:
"Foi petista por 25 anos e 100 mil dólares na cueca"

À moda Graciliano Ramos:
"Parecia padecer de um desconforto moral. Eram os dólares a lhe pressionar os testículos".

À moda Rimbaud:
"Prendi os dólares na cueca, e vinte e cinco anos de rutilantes empulhações cegaram-me os olhos, mas não o raio-x."

À moda Álvaro de Campos:
"Os dólares estão em mim já não me sou mesmo sendo o que estava destinado a ser nunca fui senão isto: um estelionato moral na cueca das idéias vãs."

À moda Drummond:
"Tinha um raio-x no meio do caminho, e agora José?"

À moda Proust:
"Acabrunhado com todas aquelas denúncias e a perspectiva de mais um dia tão sombrio como os últimos, juntei os dólares e elevei-os à cueca. Mas no mesmo instante em que aquelas cédulas tocaram a minha pele, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim.Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem noção da sua causa. Esse prazer logo me tornara indiferente às vicissitudes da vida, inofensivos seus desastres, ilusória sua brevidade, tal como o fazem a ideologia e o poder, enchendo-me de uma preciosa essência."

À moda Kafka:
"Naquela manhã, K. acordara com os testículos embrulhados num gigantesco maço de notas novas."

À moda James Joyce:
"Aquele que se aproxima é o raio x... Lendo duas páginas por noite termino semana que vem... Por que me olha a funcionária dessa forma?Ninfomaníaca... O carpete granulado desaparecera sob seus pés, a esteira rolava a conduzí-lo, sabe-se lá para onde.Termino a leitura no avião. Me coçam as bolas, me embrulham essas folhas retangulares de cor-sem-cor em tom pastel... Caso morra, é preciso enviar cópias a todas as bibliotecas do mundo, inclusive Alexandria.Ela é maníaca,não bastava me olhar assim, com esses olhos, e agora me quer tocar assim, com essas mãos, vai me conduzir à sala vip... o que fazer com ela? Se eu mijasse destruía as cédulas?"

À moda TS Eliot:
"Que dólares são estes que se agarram a esta imundície pelancosa?Filhos da mãe! Não podem dizer! Nem mesmo estimam O mal porque conhecem não mais do que um tanto de idéias fraturadas, batidas pelo tempo. E as verdades mortas já não mais os abrigam nem consolam."

À moda Lispector:
"Guardei os dólares na cueca e senti o prazer terrível da traição. Não a traição aos meus pares, que estávamos juntos, mas a séculos de uma crença que eu sempre soube estúpida, embora apaixonante. Sentia-me ao mesmo tempo santo e vagabundo, mártir de uma causa e seu mais sujo servidor, nota a nota".

À moda Lênin:
"Não escondemos dólares na cueca, antes afrontamos os fariseus da social-democracia. Recorrer aos métodos que a hipocrisia burguesa criminaliza não é, pois, crime, mas ato de resistência e fratura revolucionária. Não há bandidos quando é a ordem burguesa que está sendo derribada. Robespierre não cortava cabeças, mas irrigava futuros com o sangue da reação. Assim faremos nós: o dólar na cueca é uma arma que temos contra os inimigos do povo. Não usá-la é fazer o jogo dos que querem deter a revolução. Usá-la é dever indeclinável de todo revolucionário."

À moda Stálin:
"Guarda a grana e passa fogo na cambada!

"À moda Gilberto Gil:
"Se a cueca fosse verde como as notas, teríamos resgatado o sentido de brasilidade impregnado nas cores diáfanas de nosso pendão, numa sinergia caótica com o mundo das tecnologias e dos raios que, diferentemente dos da baianidade, não são de sol nem das luzes dos orixás, mas de um aparelho apenas, aleatoriamente colocado ali, naquele momento, conformando uma quase coincidência entre a cultura do levar e trazer numerário, tão nacional, tão brasileira quanto um poema de Torquato."

À moda Ferreira Gullar:
"Sujo, sujo, não como o poema mas como os homens em seus desvios."

À moda Paulinho da Viola:
"Dinheiro na cueca é vendaval, é vendaval..."

À moda Camões:
"Eis , pois, a nau ancorada no porto à espreita dos que virão d'além na cobiça da distante terra, trazendo seus pertences, embarcam minh'alma se afligetão cedo desta vida descontente."

À moda Guimarães Rosa:
"Notudo. Ficado ficou. Era apenas a vereda errada dentre as várias."

À moda Shakespeare:
"Meu reino por uma ceroula!"

À moda Dráuzio Varela:
"Ao perceber na fila de embarque o cidadão à frente, notei certa obesidade mediana na região central. Se tivesse me sentado ao seu lado durante o vôo, recomendaria um regime, vexame que me foi poupado pelos agentes da PF de plantão no aeroporto. Cuidado, portanto: nem toda morbidez é obesidade."

À moda Neruda:
"Cem mil dólares e uma cueca desesperada."

À moda Saint Éxupéry:
"Tu te tornas eternamente responsável pelo que carregas na cueca.


Reinaldo Azevedo